terça-feira, 26 de outubro de 2010

Compra, adoção e temperamento

        Depois de falar do Jorge, esse cão SIMPÁTICO do post anterior e depois do post sobre as raças, padrões etc, acredito que seja interessante abordar a questão específica da aquisição do animal.
        Talvez esse post gere certo incômodo, pois as opiniões se dividem quando falamos de TESTE DE TEMPERAMENTO ou TESTE DE VOLHARD (existem outros testes, mas usamos esse).
        Primeiro uma breve descrição dessa ferramenta de trabalho: Existem trabalhos que mostram não haver teste de temperamento sem falhas e os mesmos trabalhos salientam o fato de que o objetivo do teste deve estar muito bem estabelecido e que dessa forma é possível minimizar os erros. É tudo uma questão de estímulo - resposta seguidos de uma boa interpretação.


        O Teste de Volhard (Volhard's Puppy Aptitude Testing - http://www.volhard.com/pages/pat.php) é o resultado da avaliação, adaptação e junção de dois testes desenvolvidos anteriormente: Campbel e Pfaffemberger. Consiste em avaliar questões sociais, de sensibilidade, dominância e atividade de filhotes com até 60 dias (data ideal: 49º dia). O resultado desse teste não é o que o cão será exatamente, mas sim um delineamento sobre quais possíveis respostas do determinado filhote a um estímulo. Estas respostas, depois de analisadas, darão origem a um plano de "tratamento" e direcionamento para o animal, ou seja, para um filhote que se demonstrou muito sensível, medroso, desconfiado, indicamos a sociabilização como prática obrigatória e também conseguimos dizer em qual tipo de ambiente o cão se dará melhor. Esse cão mais medroso, não poderia pertencer a uma família enorme, barulhenta, espalhafatosa e que está sempre de mudança, certamente o cão sofreria. Por isso, descrevemos os resultados com termos como: tendência a, pode desenvolver, etc.
        Há quase um ano realizamos o teste de temperamento em todos os filhotes do Canil Yucatán BR de Akitas Inu (http://akitainubrasil.com.br/blog/teste-de-volhard-nos-bebes-do-ybr-akitas.om7). Observamos que mesmo as respostas mais generalistas podem ser modificadas de acordo com a raça. Por exemplo: os filhotes de akita, por mais submissos, nunca viram a barriga pra cima, eles ficam congelados e grudados no chão ou relaxados, mas deitados e imóveis. Estou escrevendo tudo isso pra mostrar que é muito importante observar e conhecer a raça com que se trabalha o que se queira ter consigo.
        O Teste de Temperamento tem duas vantagens principais: mostrar para o criador se os casais estão sendo formados corretamente e quais animais devem ser tirados da reprodução ou inseridos, ou remanejados e a vantagem motivo deste post que é "auxiliar o ser humano a escolher o filhote que mais se parece com seu estilo de vida" (depois de ter realizado a análise anterior já descrita).
        Então temos que: a pessoa vai primeiro conhecer a espécie que quer como estimação, companhia. Canina, ok. Depois fazer perguntas para si que esclareçam se essa espécie é compatível com seu estilo de vida. Depois procurar uma raça mais adequada ainda, consultando uma enciclopédia de raças. Depois procurar um profissional gabaritado para que auxilie na escolha do filhote mais adequado. EU GARANTO que depois de todo esse preparo, a chance de haver algum problema sério entre a pessoa e o cão é muito minimizada e se ele existir, a solução dependerá apenas de pequenos ajustes.
        Para nós da Bicho Sem Preguiça, aí reside a solução para uma grande parte do sofrimento animal: COMEÇAR CERTO!
        Ok, você já começou e, lendo aqui, notou que fez tudo ao contrário: estava passeando no shopping para comprar umas roupas quando viu uma gaiola com filhotes na loja de animais... um deles não tirava os olhos de você e é claro que, hipnotizada, entrou e comprou o filhote que logo pulou em você lambeu seu rosto todo, mordiscou sua orelha! Ai ai ai... grande chance disso gerar problemas...
        Então o que você vai fazer com esse filhote??? Doá-lo? Devolvê-lo? Abandoná-lo? NÃO!!! Assuma sua responsabilidade sobre a vida que você se propôs a zelar e contrate um profissional que lhe dê o suporte necessário na solução de problemas: SIM, na maioria dos casos, se houver envolvimento do guardião, há esperança!
        Agora é melhor ir terminando... Vamos para o próximo post, onde falarei sobre problemas. Não me esqueci, também devo falar dos gatinhos! Mas uma coisa de cada vez, né?

        Até mais! Bicho Sem Preguiça!

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Depoimento do primeiro aluno da Bicho

        Aparecida e Jorge. Quando chegamos pra verificar qual era o problema entre esses dois, demos de cara com a história abaixo que graças ao empenho de Aparecida teve um desfecho muito satisfatório. Ela aprendeu como deve tratar um cão para que ele seja mais feliz e se sinta mais seguro! Leiam o depoimento:

O vira-latas Jorge


        Obrigada Jorge! E cuide bem de sua guardiã!

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Bicho Sem Preguiça

         Oie!
         Postagem dupla essa semana para apresentar a todos nossa empresa: BICHO SEM PREGUIÇA.
         Surge para realmente colocar a bicharada pra malhar! Nosso lema é ocupação do tempo, Não ao ócio! Claro que tudo seguindo a forma mais natural que pudermos, respeitando as tais necessidades naturais e promovendo saúde. Temos homeopatas parceiros e em breve orientações sobre os mais apetitosos pratos naturais para a bicharada!
         Quer promover qualidade de vida, saúde e bem estar para seu animalzinho? Quer melhorar a sua relação ou da sua família com ele? Pode chamar, que a gente vai!

         Abraços,
         Equipe da Bicho

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Começando com o mínimo de erros - Foco em Cães e Gatos

        Primeiro vou explicar "com o mínimo de erros" que coloquei no título, é um questionamento simples para refletir: um dos erros intrínsecos seria a própria domesticação? Ou a maneira com que tratamos os animais hoje em nossos cativeiros?
        Bom, não darei respostas, porque não as tenho.

        Voltando ao trabalho com a realidade:
        Como escolher um animal de estimação?
        Nos posts anteriores eu já dei algumas dicas e até repeti, para que a esse início seja dada a importância necessária, pois é aí que selaremos os sucessos ou insucessos que seguirão.
        Simplesmente por serem os cães e os gatos a maioria dentre os animais de estimação escolhidos, falarei especificamente deles, mas se alguém tiver dúvidas sobre outras espécies, perguntem que tentarei, dentro das minhas possibilidades, responder.

Cães


        É uma espécie naturalmente social, gregária. Portanto a atenção e a companhia são ingredientes que não poderão faltar na relação entre o humano e o cão. Essa característica deve ser levada MUITO a sério, pois é nela que residem muitos dos problemas que culminam na contratação de um profissional de comportamento.

        Se você não pára em casa, não pode levar seu cão onde você vai, não tem condições de mantê-lo numa creche, contratar uma dog sitter ou um passeador, pense duas vezes antes de adotar ou comprar um cão, pois os benefícios que ele poderá lhe trazer não podem se sobrepor ao sofrimento que uma vida de solidão trará a ele. Considere que esta espécie não combina com seu estilo de vida e pense em outro companheiro.

        Outro passo: cães são sua cara! Você tem como prover ao cão um período considerável de atividades diárias, mas qual a quantidade suficiente? Isso já dependerá da raça do cão.
        Existem raças de cães (ESQUEÇAM OS MODISMOS!) que têm certas características e outras que apresentam características opostas. Vamos fixar que todos os cães precisam de atenção, companhia, atividade física e mental, espaço... mas a quantidade de cada coisa que eles precisam varia com a raça. Logo, um Border Collie precisa de muito mais tudo isso que eu citei (e mais algumas coisas) que um Buldogue Inglês, por exemplo. Não que o último seja como uma peça do mobiliário e não necessite de coisa alguma além de uma cama, água e comida... essa idéia é completamente equivocada.
        Outra questão ligada à raça é o temperamento do cão. E aí residem os maiores equívocos que se podem cometer contra os cães e que geram todos os tipos de preconceitos. Dizer que o temperamento de uma raça tende à dominância não quer dizer que TODOS os cães da raça serão igualmente totalmente dominantes, pois temos que lembrar que além da característica da espécie e da raça, temos que nos atentar às características do indivíduo.
        É fácil observar que Rottweilers são dominantes, ótimos cães de guarda. Isso não quer dizer que não possamos encontrar Rotts submissos. Enxerguem isso como incontáveis tons de cinza. Para qualquer característica, pode haver muitas variações, do mais escuro ao mais claro quase branco.  
        Uma observação importante a ser feita é: esse temperamento comum à raça é marcante em animais bem criados, pois como no Brasil não temos uma regulamentação específica para criação de animais, isso se dá de qualquer forma em qualquer lugar. O resultado são cães fora do padrão tanto de estética quanto de temperamento. Fique atento à qualidade e idoneidade do criador.
        Até aqui falei sobre coisas possíveis (até certo ponto) de serem mensuradas. E quando vamos adotar um cão? Não sabemos o pedigree, nem onde nasceu, nem como sobreviveu. Realmente a adoção de cães, em termos de controle e análise de padrões é em parte arbitrária.
        Adoção merece uma série de posts específicos senão ficarei escrevendo até amanhã e ninguém terá paciência pra ler meu blábláblá. 
        Ah tá! Quase esqueço de dizer ONDE buscar essas informações. Obviamente que a primeira fonte que a pessoa que irá adquirir um cão procura normalmente é o próprio criador. MAS essa pode ser uma escolha perigosa, pois, sem entrar no mérito se o criador conhece ou não o cão que escolheu para procriar, podemos supor inicialmente que ele quer vender o cão e conheço quem o faça a qualquer custo, inventando as mais mirabolantes histórias. Da mesma forma conheço aqueles que são honestos, conhecem e AMAM realmente aqueles animais que estão sob seus cuidados, e por amá-los, respeitam-nos. Só quero alertar para o fato dessa fonte ser muito imprecisa. Então, não pode ser a única. A melhor coisa é buscar uma enciclopédia de raças e livros específicos (desde que não sejam só de criadores). 
        No Brasil, ainda não é costume o veterinário conhecer comportamento e características dos cães e dos gatos. Isso não faz parte da grade curricular. Mas é um pedido legítimo, pra não dizer um clamor! Peçam, busquem o serviço, obriguem os veterinários a conhecerem os animais com os quais trabalham, pois são eles os agentes de saúde e bem-estar dos mesmos. Digo OBRIGUEM mesmo! E não titubeio em escrever isso, como veterinária consciente dessa falha na nossa educação e como alguém que acredita no nosso poder de formação de opinião.

        Não vou escrever mais. Deixa pra próxima!

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Primeiros passos para se tornar um guardião de vidas

     Ok, os animais já estão sob nossos cuidados, em nossas casas, zoológicos, reservas. Portanto o que fazer?
     Claro! Dar-lhes roupas de marca, perfumes cheirosos, almofadas fofas e gastarmos muito em medicamentos e exames, afinal de contas a vida em casa é muito mais confortável que no relento da rua ou da floresta.
     Bom, se você leitor, realmente tem esse sentimento, de dar tudo do melhor para esse animalzinho que está aí, não o recrimino, mas peço permissão para tentar expor alguns pontos que lhe façam refletir sobre: O QUE É O BOM E O MELHOR.
     Já vimos que cada coisa inanimada ou ser vivo da terra possui suas necessidades naturais: espécie específicas ou de raça, ou seja, características que todos os outros membros da mesma espécie (ou raça) têm em comum, e individuais, que englobam aquelas que dizem respeito somente àquele ser. Exemplos:
     - Peixes precisam viver na água (parece estúpido, mas às vezes é importante citar essas coisas). Algumas espécies precisam de água salgada, outras de água doce. Cavalos precisam pastar e estar em movimento (andando e pastando). Algumas raças de cães precisam de locais frescos e outras não, mas todas precisam de atividades ocupando seu tempo. Alguns indivíduos são mais sensíveis e outros mais corajosos, diferindo assim no tipo de tratamento (relacionamento humano-cão) que devem receber.
     Mesmo sendo apenas noções gerais sobre seres distintos, nota-se que para conseguirmos dar O BOM E O MELHOR para um animal, é necessário:
     1 - Conhecer a espécie;
     2 - Conhecer a raça (se pertinente);
     3 - Conhecer o indivíduo.
     O 1 e o 2 podemos obter em livros (como eu disse antes, diversos autores devem ser consultados), cursos, palestras, internet (cuidado!); de preferência essa pesquisa deve ser feita ANTES de se adotar um animal, principalmente para verificar se a espécie ou raça são adequados ao seu estilo de vida e a legislação que envolve a criação de certas espécies. Mas o 3 só podemos saber no dia a dia, portanto, se você não convive com seu animal, jamais obterá essa informação e certamente poderá negligenciar coisas importantes.
     Vou dar alguns exemplos:
     Aparece uma personagem de novela que cria uma cobra. Pronto! Virou moda e logo muitas pessoas buscarão esse tipo de animal para ter também (sem sequer saberem se podem). Não muito adiante percebem que o animal deve se alimentar, e que preconiza-se fazê-lo com iscas vivas... Então eu sugeriria que antes de fazer qualquer coisa, pergunte-se se você será CAPAZ DE OFERECER AO ANIMAL TUDO O QUE ELE PRECISA, pois é pouquíssimo provável que ele se adapte ao que você acha correto, aos seus padrões.
     Um casal de idosos quer tem um cãozinho. A senhorinha cuida da casa, do seu marido acamado e sofre de dores nas costas que a impedem de abaixar muitas vezes. Então eles vão a um shopping e lá, coincidentemente tem uma feirinha de adoção! Eles são ESCOLHIDOS pelo cãozinho sapeca que logo vem morder seus cadarços, amor à primeira vista! A moça da adoção pula de alegria, preenche uns papéis e entrega o cãozinho (sei que nem sempre é assim). Em casa eles percebem que o cãozinho faz xixi por todos os lados, rói os móveis, sapatos, fios, o pé da cristaleira da família... Mais tarde eles descobrem que o filhote foi uma cruza de Border Collie com Schnauzer (:-o). Vai adiantar chamar um adestrador? A não ser que ele more com os velhinhos, certamente não será de grande valia...
     Outro exemplo. Inclusive eu vi esse equipamento na Pet South America 2010. Esse e outros da mesma linha...


     Existem milhares de exemplos, mas não é necessário estender mais o assunto. Se existirem dúvidas, escrevam!
Até logo!